Complexo Ispon Complexo Ispon

Menu Mobile

A polêmica da fosfoetanolamina

Dra. Cynthia Holzmann Koehler - CRM PR 24783 - Cancerologista Clínica do Complexo Ispon

Os estudos sobre a fosfoetanolamina sintética, conhecida como “a cura do câncer”, iniciaram-se no Instituto de Química da USP em São Carlos, sob o comando do pesquisador Gilberto Chierice. As pesquisas foram desenvolvidas de forma independente e envolveram a metodologia da síntese da substância, contando com a participação de inúmeros colaboradores. Assim algumas pessoas de fora da USP tiveram acesso à fosfoetanolamina produzida pelo docente sob forma de doação e para fins medicamentosos, apesar de não ter sido cientificamente testada em seres humanos.


Em junho de 2015, houve suspensão desta distribuição pela USP e pacientes recorreram na Justiça o direito de continuarem recebendo a medicação. A suspensão foi baseada na ausência de critérios científicos e estudos que mostrassem a eficácia da substância. Em outubro do mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou a produção e distribuição da mesma. Entretanto, em novembro, houve nova proibição. Mas afinal, o que pensamos a respeito disto?

É fundamental que sejam estudadas a eficácia e a segurança de novos medicamentos e que o prazo dos estudos sejam respeitados. A Anvisa – órgão que regulamenta tais pesquisas no país – e o Ministério da Saúde já corroboram tal ideia.


O Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) será responsável pela coordenação da pesquisa que testará a fosfoetanolamina sintética no tratamento de pacientes com câncer. Segundo informou o governo de São Paulo, ainda não há data para o início dos estudos porque é necessário um consenso da Secretaria Estadual da Saúde, Ministério da Saúde e os pesquisadores da USP de São Carlos, que vão repassar detalhes da fórmula da substância. Os pacientes que participarão serão incluídos através de critérios técnicos, definidos pelo instituto.


O investimento total estimado para os testes deve ser de aproximadamente R$ 2 milhões. A monitorização dos pacientes será frequente e realizada por equipe multiprofissional. A estratégia permitirá melhor entendimento do medicamento. O oncologista e diretor-geral do Icesp, Paulo Hoff, disse que a prioridade é a segurança dos pacientes – sendo neste momento o objetivo inicial avaliar tolerabilidade e evidência de atividade contra o câncer.


Os avanços no tratamento do câncer dependem das etapas de segurança pré-estabelecidas pelos órgãos regulatórios em todo o mundo. As regras são criadas para proteger os pacientes, seja do uso de drogas ineficazes ou dos efeitos adversos. Entende-se que a vida e a qualidade de vida são sempre a prioridade e devem ser respeitados. É preciso lembrar que não se podem criar falsas expectativas de cura as quais podem afastar os pacientes de outras vias mais promissoras.